Um ano depois da distinção europeia de Cidade Biológica, Valpaços recebe a Região para discutir produção, rendimento dos agricultores, inovação, mercados e futuro dos territórios rurais.
Valpaços assume, a 23 de setembro, a condição de anfitriã do II Fórum da Bio-Região do Alto Tâmega e Barroso, trazendo para um dos concelhos mais marcadamente agrícolas da Região o debate sobre o futuro da produção biológica, a valorização económica dos produtos e os desafios de quem continua a trabalhar e a investir no mundo rural.
A realização do Fórum em Valpaços ganha particular significado por acontecer exatamente um ano depois de o município ter recebido, em Bruxelas, a distinção de Cidade Biológica da União Europeia. Um reconhecimento que o presidente da Câmara Municipal, Jorge Pires, entende como ponto de partida para uma responsabilidade acrescida perante o setor e perante a região.
“Não queremos que aquele prémio seja uma distinção para colocarmos numa parede. Queremos transformá-lo numa responsabilidade e, sobretudo, numa oportunidade para todo o território do Alto Tâmega e Barroso”, afirma.
É com essa perspetiva que Valpaços recebe produtores, especialistas, empresas, instituições e decisores, num encontro promovido pela Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso (CIMAT) e orientado para questões com impacto direto na atividade agrícola.
“É um evento muito importante para toda a Região do Alto Tâmega e Barroso, mas que tem para Valpaços um significado muito especial”, salienta Jorge Pires.
AGRICULTURA COM MAIS VALOR E MAIS RENDIMENTO
O programa do II Fórum BIO coloca em discussão desafios concretos: produzir mais e melhor, transformar e acrescentar valor aos produtos, encontrar novos mercados e consumidores, mecanizar a agricultura biológica, recuperar terrenos agrícolas abandonados e aproximar conhecimento, inovação e políticas públicas de quem trabalha a terra.
Jorge Pires considera que a agricultura biológica deve ser analisada também pela sua capacidade de gerar rendimento e atividade económica.
“Quando falamos de agricultura biológica, falamos de economia, falamos de rendimento para os agricultores, falamos na valorização dos nossos produtos, falamos também na preservação do território, sustentabilidade ambiental e capacidade de fixar pessoas no mundo rural.”
Num território onde a agricultura continua a ocupar um lugar central, o autarca considera que a discussão assume uma dimensão que ultrapassa o próprio setor.
“Sem agricultura não temos um território vivo. Se deixarmos de produzir, perdemos atividade económica, perdemos população, aumentamos o abandono e tornamos o território mais vulnerável. Por isso, quando defendemos a agricultura, estamos a defender o interior.”
UMA AMBIÇÃO PARTILHADA PELOS SEIS MUNICÍPIOS
O II Fórum insere-se no trabalho desenvolvido pela CIMAT em torno da Bio-Região do Alto Tâmega e Barroso, envolvendo Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar.
O encontro pretende proporcionar a troca de experiências entre produtores, empresas, especialistas, instituições e responsáveis públicos e colocar em discussão soluções com possibilidade de aplicação no território.
Enquanto anfitrião, Jorge Pires considera fundamental que o reconhecimento alcançado por Valpaços seja colocado ao serviço desta dimensão intermunicipal.
“Temos uma oportunidade extraordinária para fazer da agricultura biológica uma das grandes marcas do Alto Tâmega e Barroso.”

