no poupar está o ganho

Concebido pela Fundação Dr. António Cupertino de Miranda

Projeto de Educação Financeira “No Poupar Está o Ganho” será implementado nas escolas do Alto Tâmega

 

Criada em 2010, iniciativa “No Poupar Está o Ganho!” visa preparar nova geração de consumidores para enfrentar cenários financeiros complexos

 

O projeto de educação financeira “No Poupar Está o Ganho” concebido e implementado pela Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, vai pela primeira vez ser implementado nas escolas públicas dos Municípios do Alto Tâmega.

 

Esta iniciativa que visa promover a literacia financeira, teve início em 2010, tendo formado desde então mais de 17.000 alunos do primeiro, segundo e terceiro ciclos do Ensino Básico e Secundário. Transferir conhecimento para capacitar jovens a tomar decisões financeiramente corretas, criar uma nova geração de consumidores informados e incluir a educação financeira nos projetos educativos para com isso promover a mudança de vida de todos os envolvidos (alunos, pais e professores) são os principais objetivos desta iniciativa.

 

Numa altura em que as estatísticas revelam que uma em cada quatro pessoas vive num estado de pobreza e que em Portugal o nível de endividamento das famílias portuguesas tem vindo a registar valores próximos dos 130% do rendimento disponível, torna-se cada vez mais premente apostar em políticas e projetos que contribuam para a solução deste problema. Um facto reforçado pelo World Economic Forum que considerou, no report de março de 2016, a literacia financeira como uma das cinco competências essenciais no quotidiano dos alunos do século XXI.

 

O projeto “No Poupar Está o Ganho” vai de encontro aos objetivos definidos no Referencial de Educação Financeira promovido pelo Plano Nacional de Formação Financeira e pelo Ministério da Educação, que passou a considerar a literacia financeira obrigatória no currículo escolar, no âmbito da componente Cidadania e Desenvolvimento, em pelo menos dois ciclos do ensino básico.

 

Educação financeira: um tema transversal a toda a sociedade

O projeto – que tem como parceiros institucionais a Universidade do Porto, através da Faculdade de Economia e o Banco de Portugal – é um projeto de continuidade que se desenvolve ao longo de todo o ano letivo e inclui igualmente formação para professores, de modo a que estes estejam preparados para transmitirem os principais conceitos de educação financeira aos seus alunos.

 

Sem perder de vista todas estas finalidades, o projeto conta, este ano, com uma parceria de peso: a associação à iniciativa interministerial INCoDe.2030, que estabelece uma ponte importante entre a educação financeira e a competência digital. Como prova desta aposta tecnológica, a sessão de formação presencial de professores é complementada com a disponibilização aos participantes de acesso a uma plataforma de e-learning com material de apoio: conteúdos programáticos, fichas didáticas, planos de aula, filmes de animação pedagógicos, entre outros.

 

Para assinalar o início da implementação do projeto nos Municípios do Alto Tâmega, será realizada na próxima 4ª.feira, dia 21 de fevereiro, uma Sessão de Apresentação, agendada para as 12h15, No Auditório da CIM Alto Tâmega, em Chaves, estando ainda prevista nesse mesmo dia uma ação de formação para professores. O evento contará com a presença do Vice-Presidente da CIM Alto Tâmega, Nuno Vaz Ribeiro, do Primeiro Secretário do SEI da CIM Alto Tâmega, Ramiro Gonçalves e da Presidente da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, Maria Amélia Cupertino de Miranda, entre outras personalidades.

 

Projeto “No Poupar Está o Ganho” mediu impacto social na vida real das crianças e suas famílias

 

Este projeto foi objeto de um estudo, realizado em 2017 pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, com vista a medir o seu impacto social. Participaram na investigação 2309 crianças.

 

O estudo revelou que as crianças que participaram no programa (em contraste com as do grupo de controlo) se tornaram mais capazes de tomar/identificar decisões adequadas em diferentes dilemas comuns na gestão quotidiana dos recursos financeiros. Por exemplo, abdicar da aquisição de um bem porque este é mais desejado do que é necessário ou é de duração efémera. Registou-se igualmente uma mudança significativa na identificação das diferentes alternativas existentes para a resolução de um problema familiar que requer dinheiro imprevisto e, de entre elas, escolher as mais adequadas. Por exemplo, para fazer face a um acidente ou a um problema de saúde, tomar decisões entre um empréstimo, um seguro, uma poupança, etc.

 

A investigação envolveu igualmente quase dois mil pais, sendo que também estes conseguiram perceber alterações no comportamento dos seus filhos. Após serem expostos ao programa de literacia financeira, pais e mães inquiridos afirmam que as crianças estão mais conscientes, preparadas, motivadas e curiosas relativamente à gestão quotidiana do dinheiro da família. A par disso, são agora capazes de identificar melhor uma necessidade e um desejo, o essencial e o supérfluo, e o que é e para que serve a poupança. No que toca à relação entre promoção de literacia financeira e promoção de desenvolvimento psicossocial, as crianças que participaram no projeto da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda passaram a expressar emoções mais positivas face a expetativas pessoais que não se realizam devido à necessidade de gestão dos recursos familiares, e também maior compreensão/empatia relativamente a decisões dos pais sobre os recursos financeiros familiares.

 

 

Sobre a Fundação Dr. António Cupertino de Miranda: Sediada no Porto, é uma instituição privada, sem fins lucrativos, que tem por missão a realização de atividades educativas e culturais que promovam a sociedade do conhecimento e contribuam para a inclusão social.