insucesso escolar

O insucesso escolar é um problema complexo, com causalidade multidimensional, assumindo-se como um dos grandes desafios da sociedade portuguesa e também do Alto Tâmega.

É unânime que o abandono e o insucesso escolar são fenómenos multissetoriais, que devem ser combatidos numa perspetiva de intervenção também local, já que é a este nível que melhor se identificam as necessidades económicas, sociais e culturais presentes no desenvolvimento do projeto educativo da escola.

Nesta região rural, com baixos níveis socioeconómicos das famílias, baixos níveis de instrução e baixas espectativas na ascensão profissional futura, com um deficiente envolvimento e acompanhamento dos pais no percurso escolar dos mais jovens, há necessariamente implicações negativas ao nível das atitudes de parte dos estudantes perante a escola e consequentemente nos seus resultados escolares.

Embora a escola pública se paute pela igualdade de oportunidades, as crianças e os jovens advêm de condições familiares muito diversificadas, que inevitavelmente se refletem em desiguais sucessos escolares, atingindo particularmente os grupos mais vulneráveis.

Tendo presente que o insucesso escolar deve ser tratado fundamentalmente na escola, com o compromisso da comunidade educativa e com o foco nas crianças e nos jovens em risco de abandono e insucesso escolar, o “Plano Integrado e Inovador de Combate ao Insucesso Escolar do Alto Tâmega” constitui assim um instrumento estratégico da maior importância na construção de mais sucesso educativo e garantia de um futuro melhor nesta região.

O PIICIE do Alto Tâmega representa um investimento de aproximadamente 5 milhões de euros, dos quais 4,3 milhões são FSE, e contempla um conjunto de 14 projetos a executar num prazo de 36 meses, sendo que 2 projetos são transversais ao território e 12 promovidos pelos municípios. Projetos estes que contam com a colaboração ativa dos Agrupamentos Escolares do território, na convicção de que só com a cooperação e o empenho de todos é que o sucesso escolar registará valores mais positivos, impulsionadores do desenvolvimento económico e social da região.

Trata-se de projetos com objetivos coerentes, claros e estrategicamente orientados, cujo propósito é atingir taxas de retenção e desistência mais positivas, promover o desenvolvimento de competências psicossociais, potenciar a motivação para a aprendizagem e a aquisição de conhecimentos, melhorar a comunicação escrita e verbal, valorizar a cidadania ativa, a criatividade e a inovação.

O primeiro objetivo passa pela diferenciação e inovação pedagógica com especial atenção para a intervenção na escolaridade básica em áreas centrais do conhecimento. Este objetivo é concretizado com projetos como: “O Enriquecimento Curricular” do Município de Montalegre; o “Centro de Promoção do Conhecimento – Sucesso Garantido” do Município de Ribeira de Pena; o “Guerreiros de Sucesso” do Município de Boticas e o “Crescer para o Sucesso” do Município de Vila Pouca de Aguiar.

O segundo objetivo centra-se nas questões que amenizem condições de exclusão social e cultural, reforcem as condições que favoreçam o sucesso escolar, promovendo o desenvolvimento integral das crianças e dos jovens, através dos projetos “Pequenos e Grandes Inovadores”, “Projeto Ambiental” e “Sala de Futuro” do Município de Boticas, do projeto “Aprender dá Gosto” do Município de Ribeira de Pena, projeto “Viver a Sociedade” do Município de Chaves, projeto “Crescer para o Sucesso/Autarquia Jovem, Promoção do Conhecimento Científico e Campo de Férias” do Município de Vila Pouca de Aguiar e “Projeto Valpaços” do Município de Valpaços.

O terceiro objetivo é orientado para a igualdade no acesso à educação, reforçando a articulação comunidade-escola-família, promovendo-se uma educação mais inclusiva. Enquadram-se neste objetivo os projetos das Equipas Multidisciplinares existentes em todos os municípios do Alto Tâmega, constituídas por técnicos especializados, com vista a melhorar o comportamento e a atitude dos alunos, aumentar a qualidade da relação entre pais e filhos, promovendo um maior envolvimento dos pais nas atividades da escola, garantir o devido acompanhamento a crianças e jovens mais vulneráveis, entre outros.

Por último, o quarto objetivo visa refletir e monitorizar a eficiência e a qualidade na implementação dos projetos, de forma a garantir o sucesso da estratégia definida.
Nove dos projetos já tiveram início e espera-se que até ao final do mês de novembro todos estejam em implementação e que, ao longo dos próximos 36 meses, as escolas do Alto Tâmega sejam pilares de formação da cidadania, onde a afirmação do conhecimento e das aptidões contribua para a formação de jovens mais resilientes e mais capazes de construir um futuro melhor no Alto Tâmega.

Ramiro Gonçalves, Primeiro Secretário Executivo da CIM do Alto Tâmega