– CIM Alto Tâmega e Barroso pede soluções ajustadas ao território para cumprir metas dos resíduos

Reunião com entidades nacionais e regionais analisou dificuldades dos municípios na recolha seletiva, nos biorresíduos e na execução dos planos até 2030.

A Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e Barroso recebeu, na terça-feira, 27 de outubro, uma reunião de acompanhamento da execução das estratégias para os resíduos urbanos, no âmbito do Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos, PERSU 2030, e dos respetivos planos de ação, os PAPERSU.

O encontro contou com a presença do adjunto da Secretaria de Estado do Ambiente, Nuno Afonso, da vogal do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente, Ana Cristina Carrola, da vice-presidente da CCDR-Norte, Gabriela Leite, e da secretária técnica do Ambiente NORTE 2030, Sónia Camisa.

A reunião permitiu analisar as medidas já concretizadas e em curso, o desempenho nacional, regional e local, bem como as dificuldades sentidas pelos municípios na implementação das metas definidas para os resíduos urbanos.

Para a presidente do Conselho Intermunicipal, Fátima Fernandes, o encontro foi particularmente relevante por permitir colocar perante as entidades nacionais e regionais os constrangimentos que os municípios do Alto Tâmega e Barroso enfrentam diariamente.

“As metas são muito exigentes e, em municípios com as características dos nossos, dificilmente serão alcançadas”, afirmou a presidente da CIM Alto Tâmega e Barroso.

A dispersão das localidades, as longas distâncias entre povoações e os custos dos circuitos de recolha condicionam a capacidade dos municípios para alargar os serviços. A recolha seletiva de resíduos, incluindo biorresíduos e têxteis, exige equipamentos, meios humanos, transporte e soluções que tenham em conta a realidade de um território de baixa densidade.

A presidente da CIM recordou que, nos concelhos do Alto Tâmega e Barroso, existe há muito uma prática de aproveitamento doméstico dos biorresíduos, através da compostagem e do uso de restos alimentares na alimentação animal. Estas práticas reduzem a quantidade de resíduos produzidos, mas não são contabilizadas nos indicadores associados à recolha seletiva.

“A recolha de resíduos é muito onerosa para municípios como os nossos, dada a dispersão das localidades e o transporte necessário para assegurar esses circuitos”, sublinhou Fátima Fernandes.

Durante a reunião foram igualmente abordadas oportunidades de financiamento para a aquisição de equipamentos de monitorização e recolha, capazes de apoiar os municípios na execução dos planos e no cumprimento das metas estabelecidas até 2030.

A CIM Alto Tâmega e Barroso defendeu a necessidade de as políticas nacionais e regionais considerarem as especificidades dos territórios rurais e de baixa densidade. “É preciso ter em conta a especificidade de cada território e encontrar soluções que sejam sustentáveis”, referiu a presidente do Conselho Intermunicipal.

A recolha seletiva, a reciclagem na origem dos biorresíduos, o alargamento da rede de ecopontos e o encaminhamento adequado dos resíduos estiveram entre os temas em análise. A reunião incluiu ainda a apresentação do ficheiro de monitorização dos PAPERSU, instrumento que permitirá acompanhar a execução das medidas previstas pelos municípios.

O encontro permitiu aproximar a administração central, as entidades regionais e os municípios em torno de um objetivo comum: melhorar a gestão dos resíduos, reduzir os impactes ambientais e encontrar respostas financeiramente viáveis para os seis concelhos do Alto Tâmega e Barroso.

Back to top