“Atrair e reter pessoas”

Foi este o mote escolhido pelos seis Municípios que integram a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (Boticas, Chaves, Montalegre, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Valpaços) na estratégia conjunta para os próximos anos, onde o planeamento estratégico de cada município se conecta de forma intimista com o da promoção global da região.

Num território onde o decréscimo acentuado da população, sustentado no envelhecimento dos que cá residem e no êxodo dos mais jovens, o Alto Tâmega continuará a ficar mais deserto e consequentemente mais pobre se não houver uma inversão urgente do caminho trilhado nas últimas décadas. E não será certamente por ausência de marcas de qualidade que o território não se tem afirmado no contexto nacional e internacional, pois a excelência dos produtos produzidos, a oferta turística alicerçada na natureza, no termalismo e na diversidade do património cultural e etnográfico, a diversidade de recursos extrativos, a qualidade das acessibilidades rodoviárias e a proximidade geográfica ao centro do continente europeu permitem perceber que o Alto Tâmega tem todas as condições para alcançar tal desiderato.

Nesse sentido foram já dados passos num caminho diferente, com uma estratégia que se centra naquilo que somos e no que temos, nos nossos recursos endógenos, nas nossas capacidades e que combina a iniciativa pública e privada, potenciando produtos e marcas identitárias regionais. Foram por esse facto definidas, após reflexão aprofundada de todos os stakeholders, opções estratégicas de atuação para a próxima década com carácter transversal a todo o território.

Na agenda para a década do Alto Tâmega sinalizamos como áreas prioritárias a aposta na capacitação dos cidadãos, de forma a que se conjugue a incorporação de conhecimento e inovação à qualidade dos produtos endógenos, na mobilidade intermunicipal que favoreça a coesão e colaboração regional e na criação de uma rede de centros de competência e conhecimento nas áreas do turismo, do agro-alimentar e dos recursos extrativos que potenciem os recursos endógenos existentes, sobretudo do ponto de vista socioeconómico, de inovação e conhecimento, que contribuam decisivamente para o aumento exponencial da capacidade exportadora e competitiva da região.

Identificamos também, no plano estratégico traçado, o marketing territorial e a criação de produtos turísticos transversais que potenciem o número e a combinação de experiências conjuntas de visitação do território e o reforço da rede de serviços urbano-rural que promovam o desenvolvimento conjunto de serviços que aproximem as populações mais afastadas dos núcleos urbanos, como áreas relevantes para o êxito do plano traçado.

É nossa expectativa que os passos dados, passos decisivos e comprometidos, possam ser fundamentais para que se olhe de uma forma diferente para o futuro, com um olhar de confiança e esperança, que permita abandonar, em definitivo, a falta de capacidade de afirmação que nos tem caracterizado.

 

O Presidente do Conselho Intermunicipal da CIM-AT

Nuno Vaz
(Presidente da Câmara de Chaves)